quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Quero ser mulher!

       Que vontade de ser Mulher!
       E mexer os quadris como bem quero, ser das vísceras, do choro.
       Quando Bem entender me recolho, rosno. Depois saio descabelada e sorridente, como se nunca estivesse estado sombria.
       Quando eu deixar de ser menina, vou ser Mulher, ta decidido!
       Por enquanto treino, vou aprendendo. Tem sementes dentro de mim.
       Quando virar Mulher, minhas garras vão estar fortes, não deixarão escapar nada que decidam pegar. Meus olhos alcançarão o depois de amanhã, estarei várias jogadas à frente...
       Já sinto meus ouvidos se transformando. Ouvido de Mulher é meio moco pra fora, absoluto pra dentro.
       Ah! Se eu pudesse, seria mulher agora, mas não posso pular etapas. Tem que esperar os pêlos crescerem, para não precisar procurar calor em outro lugar. Buscar o calor do outro por puro tesão, vontade. Não por necessidade ou questão de sobrevivência. Por isso é preciso garantir uma pelagem saudável e auto protetora.  
       E é preciso treinar o Urro. As Mulheres têm um “não sei o quê” que as colocam em situações onde um bom Urro é fundamental para que alguns limites sejam entendidos.
       As meninas não são donas de seus cios. Pouco decidem, exigem, procuram. Confundem seus cios com amor e paixão, não sabem respeitar seu corpo, seu desejo imperativo. Muitas não sabem se amar sozinhas.
       Quero, cada vez mais, me tornar Mulher, não quero parar nunca!
       Mais pêlos, garras, urros! Vir a ser mulher é constante pra quem busca. Tem que ser trabalhado, tecido, desadestrado.
       Mas também vem de surpresa. Por vezes me pego assustadoramente fêmea, e o mundo que se segure.
      Minha risada fica rebelde, insiste em alcançar os ouvidos dos incomodados. Eu danço no ritmo do universo, falo sua língua. Meu útero imita a lua. Genuína loba.
       Mas, infelizmente, não sou mulher toda hora. Fico aí, esperando a próxima ordem, querendo salvar não sei quem, deixando meus trabalhos não sei onde...
       Às vezes olho pra cima e, como boa menina mimada, praguejo! Culpo! Esqueço que a Deusa está dentro de mim. É útil esquecer as lições que tantas vezes tomamos.
       O lugar de menina é confortável, nos tira várias responsabilidades e sempre vai ter alguém para ter dó da “vítima”.
       Mas cansa. Acabamos por  ter o ímpeto de arregaçar as mangas e gritar: “Quero ser Mulher!”

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