quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Inanna


A Deusa mais celebrada na antiga Suméria, foi Inanna.
       Assim como Perséfone, Dea e Psique, essa Deusa viveu a saga que é vivida por várias de nós: a decida ao submundo.
       Grande Mãe dos Mistérios da vida,  Inanna  desce os sete portões, se despindo do que era seu, para encontrar Ereshkigal, sua irmã, Rainha do Submundo, terrível e implacável.
       O mito de Inanna se passa na nossa vida por diversas fases. Trata-se de um dos processos mais enriquecedores da nossa alma. E um dos mais dolorosos também, por se tratar da nossa morte.
       Saímos de um aspecto de  quem conhece a vida e o júbilo para conhecermos, intencionalmente ou não, o mundo dos mortos.
       E para isso morremos.
       Lidar com a morte é uma iniciação de altíssimo grau, que confere nível sacerdotal ao iniciado. Os Xamãs precisavam conviver com mortos e praticar diversos exercícios da própria morte para se iniciarem.
       Para descermos ao mundo dos mortos, muita coisa do mundo dos vivos deve ser abandonada. Muita coisa fica pra trás no caminho. Outras devem morrer. É etapa importante da descida aprender a deixar morrer, a dar um fim. A medida que descemos, nos despimos de muita coisa que acreditávamos ser nossa.
       Essa morte pode ser psiquica, pode se tratar de hábitos, de pessoas. É a necessidade de um outono na nossa vida, pra retirar as folhas mortas. Uma faxina geral no quarto, que muitas vezes bota a gente em contato com aquele velho lixo embaixo do tapete, que está pior do que da última vez que o vimos...
       Encará-la é o mais difícil, porém necessário. Quando vemos Ereshkigal, vemos tudo aquilo que não queríamos ver,mas que é nosso. É nossa Sombra. Nossa Senhora Sombra.
       Será que aquela mentirinha que a gente se conta, vai ficar por isso mesmo? E as enormes e cabeludas, não vão querer chamar nenhuma atenção?
       Inanna conhece a Morte.  Seu corpo vira carcaça. Mas compartilha o conhecimento de vida com sua irmã, auxiliando-a a dar a luz, e lhe é concedido o Renascimento.
       A Deusa não é mais a mesma que era antes da descida. De certa forma, a vida e a morte fazem parte de tudo, mas o renascimento é um conhecimento privilegiado.
       O conhecimento de renascer nos deixa mais seguras inclusive para as mortes vindouras. Nos dá força, amadurece. Passamos a dar valor a outras coisas, nos apoiar em outros pilares, e até pra nos tirar do sério fica mais difícil. Tanto a Inanna Deusa da Vida, quanto a Inanna habitante do mundo dos mortos, vivem em extremos de ingenuidade e dor. Luz e Sombra. Consciente e Inconsciente. Mas a Inanna renascida não  pertence a extremo algum e engloba ambos. 


"Fui até lá
Por minha própria vontade
Fui até lá
Em minhas mais finas vestes
Com minhas jóias mais preciosas
E minha coroa de Rainha dos Céus.
No submundo
Em cada um dos sete portões 
Fui despida,sete vezes
De tudo que eu pensava ser
Até que permaneci descoberta
Ao que realmente sou
E então, eu A vi
Imensa, Negra, Fétida, Peluda
Com uma cabeça de leão
E garras de leão
Devorando tudo à sua frente
Ereshkigal, minha irmã
Ela era tudo o que Eu não sou
Tudo o que escondi
Tudo o que enterrei
Tudo o que neguei.
Ereshkigal, minha irmã
Ereshkigal, minha sombra
Ereshkigal eu mesma."  




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