quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Meu Caminho

Magia é fascinante. Quando me encantei foi pelo oculto, pelo mistério. Havia também muito respeito pelo arquétipo do bruxo, que é figura poderosa.
       Entrei no mundo da bruxaria por imitação, como muita gente faz. Tínhamos um grupo de estudo que funcionava meio “Capitão Planeta”: cada um era parte fundamental de um círculo que, quando unido, tinha muito poder. Nossa intenção era praticar nossa curiosidade livre, ver 
 entre as frestas do oculto.

       Era delicioso, assustador, instigante.

       Assim eu conheci a Wicca. É recomendado estudar um ano e um dia para se iniciar, mas eu estudei muito mais do que isso.Meu grupo foi ficando cada vez menor, no dia da iniciação sobrou um casal de amigos, que se iniciariam também. À essa altura, minha visão da magia já tinha mudado bastante. A celebração à Deusa já era meu principal intuito.

       Então fomos, meus amigos e eu, para a chácara que faríamos o ritual, foi quando recebi a primeira lição da Deusa: os rituais só servem pra nós, não pra ela.

       Meus dois amigos foram comprar as coisas necessárias, e eu fiquei preparando o altar.

       Ali minha iniciação aconteceu. Sozinha.

       Enquanto eu arrumava tudo, no espaço da natureza, fui invadida por uma onda de amor tão puro, sem objeto, sem fronteira. Perdi o que eu chamo de “eu” nesse estado. Entrei no não-tempo, não-espaço.

       Deve ter durado segundos, mas mudou minha vida, e é o que eu chamo de “Chamado da Deusa” na minha história. Não dá pra não querer repetir esta sensação em larga escala. E na lua cheia é dessa sensação que eu me lembro.

       Foi nesse dia também que decidi ser bruxa Eremita (não gosto do termo solitária) meus amigos voltaram cansados, não houve ritual. E depois eu nunca procurei um Coven, não sei se me acostumaria com outro grupo. E eu me pergunto. Será que se tivesse ritual, eu teria me iniciado?

 Como os estudos de uma bruxa nunca terminam, segui estudando. Abandonei a Wicca, mas mantenho algumas celebrações, como a roda do ano e os Esbbats. A minha forma de usar magia quase volta aos tempos da alquimia. Gosto muito da física quântica, por haver harmonia entre  os pensamentos religioso, filosófico e científico. Amo os estudos dos submundos da mente, seus arquétipos e sombras. Acredito que a  lapidação própria é o dever de todo bruxo, independente da linha. Mas, raras vezes, uso a magia para algum fim específico, que não seja no dia-a-dia, por temer não estar atenta a todas as conseqüências de uma ação manipulada.  

       Não acredito em cor de magia, do tipo “branca” ou “negra”. Primeiro por dar conotações de valor às cores que nada têm a ver com nossos juízos. Segundo, por não acreditar que algum ser humano consiga estar puro a ponto de emanar energia “branca” e outro com a pureza inversa, emanando somente energia “negra”. As nossas vibrações são muito sutis, e são umas das variáveis mais difíceis de controlar na magia.

       Acredito muito no poder da nomenclatura. E dividir magia por cor, Magia Negra, Branca ou cinza, primeiro, só limita nosso conhecimento e, segundo, daqui a pouco temos a Magia Faber-Castel. Além do que, só quer esconder valores do tipo: “ eu sou bonzinho” ou “tenha medo de mim, eu sou do mal!”...

       Posso dizer que o meu aqui e agora é uma tentativa de aliar “o que eu quero, o que eu penso e o que eu faço” e buscar onde minhas antepassadas esconderam seus conhecimentos, para que eu beba da mesma fonte.
  

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